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A feminilidade retratada nos autorretratos de Isadora Ribeiro | A feminilidade retratada nos autorretratos de Isadora Ribeiro |
| Enviado por Victor Silveira | |
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Podemos pensar sobre o feminino em várias perspectivas filosóficas e psicológicas. Culturalmente, vivenciado como um construto pertencente à mulher, o mesmo perpassa esse modelo e se coloca em uma concepção amplamente variável, para além do destino da anatomia sexual, e que tem sua essência determinada quando acrescido de diferenças, sendo elas biopsicoculturais.
A mulher, especificamente herda o grande fardo desse modelo, como uma imposição política restrita ao sexo. Sobrepujando essas imposições, a feminilidade foi - e se matem sendo! - o grito de muitas mulheres ao longo da história, seja como auto-afirmação e/ou autonegação.
Dentro desse fundo, coloco como figura a arte de Isadora Ribeiro, paulistana, que, com seu espírito livre, dentre suas tantas atividades artísticas, desenvolve um projeto autoral de Autorretratos, que evoco para investigação do feminino e suas faces.
Segundo Mary Wollstonecraft, uma escritora britânica do séc. XVI precursora do movimento feminista,
“O feminismo é a teoria que procura investigar a fundamentação falta”.
Na colocação corporal da artista em sua fotografia, o corpo é usado como discurso principal, podendo ser lido em constantes encenações de vertigens, desequilíbrios, náuseas, anciã de vômitos e ilusões de movimentos. Podemos tomar como representações desses atos encenados sintomas psicossomáticos, oriundos desse constante convívio conflituoso com a falta, podendo levar até mesmo a surtos psicóticos e delírios, condições estas que também são vistas claramente na obra da artista por vias da densidade visual dos retratos.
Outra faceta referente ao feminino é a sedução que, ultrapassando a beleza de padrões estética consumista, diz de um mistério que silencia e oculta, que revela em partes, que induz, desencaminha e paralisa. E visto dentro da fantasia do corpo feminino, pode ser considerado como um demônio que seduz as almas fracas.
Esse poder sobre o corpo é mostrado por um excelente jogo de sombras, luz pontual e cores, que exercem um efeito rítmico sobre seus retratos, trazendo um clima elucidativo às imagens. Tendo a posse absoluta do seu corpo, utiliza-o como objeto de desejo e brinca como um lápis a desenhar as imagens de forma fascinante e inspiradora.
E como última instância de muitas outras que poderia abordar, indico a linha tênue do equilíbrio do corpo e da mente. Rememoro a frase de Fernando Pessoa:
“Sou o intervalo entre o desejo e aquilo que o desejo dos outros fizeram de mim.”
Esse intervalo, que pode trazer o instante de equilíbrio sobre as profusões de desejos do humano, que muitos encontram nas mais variadas manifestações artísticas. O escape, o ponto de equilibro que, subvertido, sustenta. Que é o encaminhamento da excitação para o ato criativo, o estado de embriaguez, o gozo. E, no feminino, aparece com uma especificidade natural e altamente perceptiva. É o que encontro na arte de Isadora Ribeiro: Os retratos do feminino vivenciados singularmente em suas mais variadas modalidades.
+Fotografias:
Isadora Ribeiro
• Site: www.isaribeiro.com
• Flickr: www.flickr.com/photos/photosinthetable
• Facebook: www.facebook.com/isadoraribeirolima
Artigo de:
Victor Silveira | @vitinho_binho
• Facebook | www.facebook.com/victor.silveira.39
• Tumblr | vitinhobinho.tumblr.com
Hits: 8061 Comentarios (4)
![]() escrito por Gustavo Linares , novembro 09, 2012 Muito bom o texto. Sempre gostei muito do trabalho da Isadora, e ver ele examinado tão compreensivamente da gosto de ler;
escrito por Dayne Dantas , fevereiro 20, 2013 Sou fotógrafa e adoro me fotograr.
Acho que é pq eu sei explorar melhor que ninguém meu lado sensual e porque morro de vergonha de pousar pra alguém. Vai entender. Escreva seu Comentario
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