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Os dilemas de ser fotógrafo | Os dilemas de ser fotógrafo |
| Enviado por Francine de Mattos | |
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O fotojornalismo é capaz de colocar o fotógrafo em situações onde, qualquer que seja a escolha, a ação final resultará em extremas consequências. Tais situações já foram vividas pelos fotógrafos Kevin Carter e Tiago Brandão que, por suas escolhas, foram duramente criticados e julgados.
Em horas onde as opções são fotografar ou ajudar, o que você faria? Se você estivesse no lugar do Kevin Carter, qual seria sua escolha? A resposta para muitos parece fácil e simples, mas existem vários fatores envolvidos. No filme “Fomos Heróis” (We Were Soldiers, 2002), o personagem fotógrafo Joe Gallowar (Barry Pepper) concluiu que a melhor maneira de ajudar seus colegas de combate era registrando cada perda ou momento de sofrimento, para que nada fosse esquecido posteriormente. O fotojornalismo é a soma de coragem, atitude, profissionalismo e ética.
"É impossível fazer fotojornalismo sem caráter, sem opinião." — João Bittar
Outra situação de escolha aconteceu com o fotógrafo e colunista do Meio Bit. Gilson Lorenti conta que presenciou o atropelamento de uma criança. O garoto, que não sobreviveu, tinha fugido dos pais e atravessou uma avenida. Naquele momento, Gilson estava com a câmera na mão e uma difícil escolha: socorrer o acidente ou registrá-lo? Qualquer imagem do triste episódio seria aproveitada para compor manchetes de vários jornais da região. Vivendo o dilema em fotografar ou não, ele se questionou qual seria a recompensa por aquela foto. Nenhuma. Aquela foto seria somente algo para matar a curiosidade mórbida de quem não presenciou a fatalidade. Escolhendo não fotografar, ele ficou com sua consciência leve.
Na época, muitas pessoas criticaram sua atitude em não fotografar, já que estava perdendo a chance de ter em mãos uma foto de impacto. E, se fizesse a foto, alguns o acusariam de ter aproveitado o sofrimento alheio, em vez de socorrer.
Para finalizar trago o vídeo “One Hundredth of a Second”,que aborda justamente o dilema que o fotojornalista vive em sua rotina diária de profissão. De fato, não existe uma resposta simples sobre a questão dos limites do fotojornalismo. O vídeo mostra claramente a responsabilidade do profissional que decide utilizar sua câmera. As cenas do vídeo são fortes, mas cada minuto é valioso e deve ser assistido. One Hundredth of a Second traz um impacto visual, mas, principalmente, uma reflexão sobre a profissão de fotojornalista.
E você: fotografaria ou ajudaria?
Leia+ :: O olhar de André Liohn sobre os conflitos de guerra
Referência:
Responsabilidade e Fotografia
por Gilson Lorenti
Fotografia do topo:
James Nachtwey
Artigo de:
Francine de Mattos | @fran_fotografe
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Hits: 10777 Comentarios (11)
![]() escrito por Igor M. Moura , julho 06, 2012 Bem dito Henrique.
Assim como disse quando compartilhei este artigo no face. Já precisei passar por esta decisão, me recordo até hoje das imagens e guardo elas com carinho para me lembrar do que fazer e o que não fazer quando fotografo. Mas como aprendi na faculdade de jornalismo. Ser testemunha ocular de um fato, indepêndente de qual seja, registrar tudo que puder e ajudar dentro do possível. Em muitos casos como este mostrado no “One Hundredth of a Second” seria bem possível que tanto a menina quanto a jornalista acabariam mortas e o registro não existiria. Ser jornalista/fotojornalista precisa ter sangue frio. escrito por Alice Munhoz , julho 06, 2012 Me emocionei com o vídeo. O fotojornalismo tem disso uma responsabilidade em mostrar os fatos das histórias, e indiferente da escolha que o fotógrafo faz ele será julgado pelos colegas de profissão e pela sociedade.
escrito por Cris Castilho , julho 10, 2012 Muitos criticam, fazem do Carter um monstro, mas esses estão sentados em suas casas/trabalho na frente do pc na segurança e no conforto.
O imagem como registro fotográfico já mostra o mostro que existe em todas as pessoas, aquela criança só esta ali naquela situação pq pessoas como nós não tivemos o interesse de fazer algo melhor pelo próximo, e isso não acontece só em casos extremos como nas condições da foto. Quero ver quantos de nós teríamos coragem de "pegar" uma criança que esta pedindo esmola em uma sinaleira e levar ela pra casa e dar todo o amparo necessário pra ela ter uma vida no mínimo digna. Tenho certeza que quase nenhum de nós, se não todos, não o faríamos, chances temos todos os dias, condições muito melhores que a do Carter tbm temos, mas nos falta humanidade, coragem e acima de tudo amor pela vida. escrito por Fábio Sampaio , julho 10, 2012 Há de se considerar que Kevin Carter tinha sérios problemas com drogas e álcool (não desmerecendo a classe dos fotojornalistas). Quando fez a foto estava sozinho e ninguém sabe ao certo qual foi a reação do mesmo, visto que ele deu várias versões do caso.
Quanto ao vídeo acima, ou ela registrava, ou morria junto. Nem chega a ser um caso de se pensar muito, neste caso, o registro do horror da guerra é a forma de tentar ajudar, não a menina que morreu, mas todo o povo inocente que se encontra em guerra. Ainda sobre Kevin Carter, foi feito um filme bem interessante sobre seus amigos e ele: The Bang Bang Club (Repórteres de Guerra). Vale a pena assistir. Vale a pena assistir também a entrevista de André Lion (que recentemente ganhou o prêmio Robert Capa Gold Medal 2011, um dos mais importantes prêmios de fotografia do mundo. Lion é o primeiro brasileiro – aliás, é o primeiro sul-americano – a ser contemplado pelo Prêmio que existe desde 1955), no Roda Viva: http://www.youtube.com/watch?v=SG020xwbFG0 escrito por Márcio , julho 10, 2012 Muita gente taca o pau no Kevin Carter e nem sabem direito a história que há por trás disso. Após ter feita a foto, Kevin espantou o urubu, sem falar que a criança estava sendo acompanhada por algum órgão de apoio (detalhe na pulseira branca em seu punho). Infelizmente ela faleceu anos depois, vítima de doença. No mais, ótimo artigo.
escrito por Fábio Sampaio , julho 11, 2012 Não é comprovado que Kevin espantou o urubu, ele mesmo deu várias versões do caso e nem seus amigos sabiam ao certo o que havia acontecido. Se de fato ele fez o certo, não havia porque ter se matado com dor na consciência.
escrito por JMoitinho , julho 27, 2012 No último final de semana, enquanto alguns amigos e eu fotografávamos no centro de BH, fomos surpreendidos por um cara que gritava "Para que vc vai morrer...".
Ficamos sem entender e começamos a procurar de onde vinham os gritos. Foi então que surgiram dois rapazes correndo, um seguiu em uma direção sem nem olhar pra trás, o outro gritava e corria feito "barata tonta", com revolver na mão, ameaçando sem saber a quem. Cara, eu fiquei congelado, não sabia o que fazer. O resultado é que perdi, mas aprendi que fotojornalista tem sangue frio. escrito por Alexandre Lago , julho 29, 2012 Tantas pessoas que arriscaram as vidas para salvar outras durante as guerras. Tantas vidas que FORAM SALVAS porque existiram pessoas capazes de colocar a própria vida em risco para salvá-las...
Não sei o que é mais vergonhoso, discutirmos o que devemos fazer (o que nem deveria existir discussão quanto a isso) ou ver pessoas que já acreditam de forma cega que é melhor registrar o momento "como forma de ajudar para que tragédias não sejam esquecidas", tragédias que PODERIAM ser evitadas caso essa mesma pessoa tivesse a humanidade de agir, de se diminuir e pensar que, se uma vida pode ser salva, vale a pena qualquer esforço nesse sentido... Não se joga terra por cima de pessoas vivas dizendo: Esse vai morrer de qualquer jeito, nem vou ajudar... Triste ver que tanta gente ainda discute sobre isso como se fosse um assunto digno de discussão... escrito por Fabricio Ribeiro , agosto 06, 2012 Tenso o vídeo. Realmente é uma situação bastante difícil pra se saber o que fazer...
escrito por Evandro Matheus , setembro 07, 2012 a fotografia tem de fato duas vertentes: Da ORIENTAL: SHA SHIN = REFLEXO DA REALIDADE, ou seja fotojornalismo. E a outra vertente é poética que é desenhar com a luz. Ou seja: observar a luz e retratar o seu, ou os seus objetos respeitando ou criando com ela, a LUZ.
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Pra mim, é simples: Se o fotógrafo tiver a chance de ajudar, faça! O que acontece é que, em outros casos, o fotógrafo nem deve tentar ajudar. (Num acidente, por exemplo, não se deve tentar mover a vítima, etc.)
E outra: Todo mundo acha lindo julgar quem faz a foto de um desastre (arrumam até meios poéticos e dramáticos pra fazer isso, é incrível!), mas odeiam ler jornal e não ver imagem do acidente. O jornalismo (por isso, o fotojornalismo também) é uma das profissões mais importantes do mundo, justamente porque retratar uma verdade e registrá-la no tempo, às vezes, até como fato histórico importante.