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O mais além do corpo em: Luiza Prado
Enviado por Victor Silveira   
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O corpo que se entrega como veneno a si próprio na arte fotográfica de Luiza Prado.

Existem aqueles que são trazidos à arte no colo, e em meio ao horror do ser-no-mundo, vivenciado em uma construção singular, encontra nela (arte), um refúgio, um escape. Não um paliativo, mas algo que assume um potencial de (trans)valorar, e de se por em constante movimento, que nos diz do ato da criação. E cada obra peculiarmente é tomada por uma constante metamorfose.

Dessa forma que leio a arte fotográfica autoral de Luiza Prado. Paulistana, influenciada pela linguagem cinematográfica; é design por profissão e fotógrafa por paixão. Paralela as suas ocupações desenvolve um projeto de autorretratos, do qual me ocuparei em apresentar, pincelando com um olhar mais demorado, que diz de uma busca pessoal de experimentação minha de sua arte. 
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Sua execução de produção criativa desenrola-se como um tratado autobiográfico de entrega íntima e subjetiva. O que por definição, é visto em imagens que exalam uma marginalização de um "eu" em constante conflito pelo corpo, onde o mesmo representa em cada retrato uma marionete nas mãos de forças mais profundas e primitivas. Corpo descentralizado, tomando à forma de um objeto a margem, sem domínio de si mesmo.

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Seus retratos exercem um domínio visual subversivo, onde a própria concepção retratada, que se dá especificamente por uma modalidade de nu, oculta, vela e mascara. O corpo objeto, fugaz e efêmero, e sem uma forma conceitual que lhe diria de alguma essência. Uma transubstanciação constante, vista de forma atemporal em cada retrato. Esta corporificação pode ainda ser lida como: um destino da condição existencial, que ela enquanto artista transforma em arte. 

Sua fotografia é crítica, não convencional e permeada por uma estética de intolerância. O barro usado como a matéria-prima de sua criação, é a angústia do corte, da ruptura. Luiza explora todo esse emaranhado, de ficção artística e autobiografia nessa perspectiva existencial. Uma demanda do que cerca todo esse contingente de paradigmas em uma impossibilidade de traduzir no gestual do corpo o que escapa a linguagem, o que não pode ser dito. Em suas próprias palavras ela diz: “Não quero uma arte quieta, bonita, quero a turbulência e a sujeira, só elas vão mostrar que ainda estamos vivos. Então opto por este lirismo caótico, desnudo e inconseqüente. Seja a loucura, o ambíguo, o mistério, a lascívia, o impudico, sádico, o silêncio que fala o conflito, a caoticidade. Tudo que temebra, eu almejo e eu almejo por mudança.”

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Toda esta eclosão representativa no seu ato criativo me diz justamente dessa possibilidade de mudança, onde uma “liberdade”, um sem limites, se faz dizer de uma não rotulação, totalmente intensificado por algo profundo e obscuro a consciência, que vem a tona em algo sintomático, pela via artística.

Ao se pensar uma interpretação crítica intempestiva de suas fotografias, poder-se-ia dizer: Uma liquidez performática abusiva, distorcida, imoral, obscura e envaidecida. Mas é justamente o que esta para além desta leitura crítica, que me prende enquanto contemplador de sua arte. Aquilo que prende como enigma, e convida o espectador a deixar se levar pela fluidez artística indo de encontro ao vazio do que não é lúcido, o que transgride a ordem e um suposto controle do que venha ser ou não a arte, excedendo a consciência racional: o (dês)útil, o íntimo, o devir,  a falta, a fala (corporal). Que expressa à singularidade do nada, do ser.

Uma gota ou uma centelha. Seja por uma gota do mergulho fantasístico do delírio ou a pequena centelha de sanidade, que todas nós carregamos, e que se move em constante estado de ebulição. E na arte de Luiza Prado, coloca-se como o explosivo do corpo, fazendo-se a lenha desta fogueira. Objeto fomentador de um simbolismo que choca e se reinventa. O corpo que se entrega como veneno a si próprio.

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+Fotografias:

Luiza Prado

• Site | luizaprado.nu
• Blog | blog.luizaprado.nu
• 500px | 500px.com/LuizaPrado



Artigo de:

Victor Silveira | @vitinho_binho

• Tumblr | vitinhobinho.tumblr.com


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Comentarios (4)Add Comment
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escrito por LuizaPradonu , junho 13, 2012
Querido!!!

Muito obrigada pelas palavras, lindas como sempre! smilies/smiley.gif
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escrito por Felipe , junho 13, 2012
Inquieto e profundo. Um trabalho desenhado pela essencia de si mesma.
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escrito por Di Lucas , junho 14, 2012
Lindo! Tocante! Adorei a filosofia, as fotos. geniais! Parabéns!
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escrito por Alcindo Correa Filho , junho 21, 2012
belíssimo trabalho, tanto tecnicamente quanto criativamente.
Gostei muito dos tons da foto do espelho.
Parabens Luiza.

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