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Conversando sobre fotografia com Leandro Mello | Conversando sobre fotografia com Leandro Mello |
| Enviado por Leandro Mello | |
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Dia desses, estava no trabalho (só pra esclarecer, trabalho numa agência de publicidade) e uma colega (@giovannapini) veio me perguntar se eu topava responder algumas questões pra ajudá-la num trabalho da faculdade. O tema? Fotografia. Algumas das questões vivem gerando polêmica e sendo discutidas exaustivamente. Mesmo assim achei que pudesse ser útil pra mais alguém. Então, cá estamos. Fiquem à vontade para soltar o verbo.
#1 |O acesso fácil aos equipamentos fotográficos pode ser considerado o fator responsável pela produção de imagens parecidas?
Leandro Mello: Vamos pegar emprestado um exemplo que facilite o entendimento. No passado, carro era pra poucos. Só aqueles bem abastados tinham condição de possuí-lo. Com o passar do tempo, a situação passou por várias mudanças e o automóvel se popularizou. Hoje, temos milhares de carros sendo vendidos diariamente, onde muitas pessoas utilizam da forma correta enquanto muitas outras fazem verdadeiras barbaridades. Esse número de carros iguais aumenta proporcionalmente de acordo com o número de carros vendidos. Na fotografia, assim como em outros segmentos, acontece a mesma coisa.
#2 | A fotografia perde seu valor reflexivo quando editada em softwares?
Leandro Mello: Desde que a fotografia passou a ser editada, e isso vem bem antes da câmera digital, passou a carregar consigo a dúvida “será que essa foto é real ou foi alterada?”. Essa questão acaba esbarrando na aplicação da fotografia. Em campanhas publicitárias, onde alguns conceitos criativos são extremamente complexos, dificilmente uma foto poderá ser utilizada sem pesadas edições. Já no fotojornalismo, onde a imagem precisa transmitir a veracidade da notícia, a edição é feita apenas como um complemento, objetivando a simples melhoria da qualidade da imagem. Uma foto carregada de edição cria dúvidas de seu conteúdo ser, ou não, verdadeiro. Uma imagem duvidosa perde todo o impacto e reflexão que poderia causar.
#3 | A fotografia, hoje, ainda pode ser vista como uma expressão artística mesmo com a facilidade de fotografar?
Leandro Mello: Pode! Desde que feita de forma consciente e com esse objetivo. Muitas pessoas compram sua câmera para abastecerem o Facebook com as fotos da última balada. Outras, simplesmente pela satisfação de fotografar. E existem aqueles que dependem dela para sobreviver. Fotografia como forma expressão artística não precisa necessariamente ser feita por uma câmera. Nas grandes cidades é comum vermos exposições em que as imagens foram feitas exclusivamente utilizando um aparelho de celular.
#4 | Todos podem ter o mesmo olhar de um fotógrafo profissional?
Leandro Mello: O olhar é uma coisa pessoal. Você precisa desenvolvê-lo. Algumas pessoas têm mais facilidade, outras acabam se desestimulando sob a ideia “não levo jeito pra isso!”. Acredito que realmente existam pessoas que esbarram em alguns fatores cruciais, mesmo assim, podem se aprofundar na técnica. Vejo isso como na música. Tem aqueles que já nascem com uma voz incrível. Se souber desenvolvê-la então, ninguém segura. E tem as pessoas “normais”, sem aquela potência vocal toda, mas que pode estudar e obter a técnica. A tendência é que se deem bem, mas mesmo estudando e treinando muito, dificilmente terão a voz daquela outra sortuda que já nasceu chorando em harmonia.
#5 | O equipamento faz o profissional?
Leandro Mello: Equipamento dá status. Você pode não saber nada sobre fotografia, mas se sair com uma Leica pendurada no pescoço vão achar que você é o tal! Infelizmente, existem muitos fotógrafos que acham que os milhares investidos em equipamento fizeram dele um bom profissional. Equipamento é a ferramenta que o fotógrafo utiliza para registrar, com tudo o que carrega dentro de si, aquilo que seu olhar lapidou.
#6 | A modernização do próprio equipamento contribui com a diferença entre o profissional e o amador ou aproxima mais?
Leandro Mello: Se o fotógrafo amador não for rico, dificilmente ficará ostentando equipamentos caros, lentes, flashs. Terá seu equipamento básico e com ele fará os seus registros. Já o profissional, identifica necessidades a cada trabalho. Um acessório que facilitaria numa produção, um ponto de luz que daria um resultado bacana, uma lente que possibilitaria um ângulo diferenciado. São itens que enriquecem uma lista, objetivando uma melhor qualidade final. Essa questão é totalmente contrária à visão superficial de muitos amadores ou profissionais que cultuam equipamentos. É a visão que os leva a upgrades constantes e desnecessários sempre que um equipamento novo chega ao mercado. Mas isso é outra conversa...
#7 | Como o profissional deve sobressair-se e trazer notoriedade para o seu trabalho em meio a grande divulgação de imagens que temos hoje em dia?
Leandro Mello: Demonstrando um trabalho notório! A proporção de ótimos trabalhos não é equivalente à de profissionais no mercado. Um trabalho de qualidade sempre irá se destacar. Com as atuais ferramentas de divulgação, muitas delas gratuitas, ficou mais fácil torná-lo acessível. Com as redes sociais isso vai ainda mais longe. A mídia espontânea que um conteúdo pode gerar é um poderoso aliado nesse processo. As pessoas tendem a compartilhar aquilo que gostam, e de uma forma negativa aquilo que não gostam. O profissional precisa estar antenado nas ferramentas que são disponibilizadas mês a mês e trazê-las para o seu cotidiano. Trabalho de qualidade somado à uma boa propaganda formam uma receita poderosa que pode render resultados significativos.
#8 | A fácil acessibilidade aos equipamentos fotográficos e o consequente registro dos momentos pode ser considerado uma amostra de status?
Leandro Mello: Como comentei numa questão anterior, equipamento dá status. Principalmente numa realidade onde a maioria das pessoas tem uma concepção errada do que é uma câmera profissional. O título “fotógrafo”, por si só, carrega um glamour equivocado. Baseado nisso, muitas pessoas se aproveitam dessa questão para forjarem um status vazio e fútil. Infelizmente.
#9 | As mídias sociais contribuíram com a banalização da fotografia?
Leandro Mello: As mídias sociais são agentes potencializadores, positiva ou negativamente. Tanto pela facilidade em disseminar conteúdos quanto pela quantidade exorbitante de pessoas que ali se encontram. Como tudo, podem ser bem ou mal utilizadas. Conheço várias pessoas que deram um grande “up” em seus negócios utilizando as mídias sociais de uma forma correta. Por outro lado, recebemos diariamente uma enxurrada de conteúdos irrelevantes e desnecessários. Isso não prejudica só o ramo da fotografia, prejudica como um todo.
Entrevista por:
Giovanna Pini | @giovannapini
• Flickr |www.flickr.com/photos/pinic
Entrevistado: Leandro Mello | @_leandromello
• Flickr | www.flickr.com/leandromello
• Blog | portfolioleandromello.wordpress.com
• Facebook | www.facebook.com/LeandroMello.Fotografia
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Divulgue!
Hits: 3582 Comentarios (4)
![]() escrito por rogerio marciano , junho 11, 2012 Bem bacana, suas opiniões acabam batendo de acordo com as minhas, a modernização é inevitável mas somente o olhar artístico será preservado, isso é e será sempre o diferencial do bom fotógrafo, seja ele amador ou profissional. parabéns
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