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ABC da Fotografia
Não só de regras vive o artista | Não só de regras vive o artista |
| Enviado por Leandro Mello | |
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O objetivo deste texto não é polemizar nem criar problemas com outros fotógrafos, mas como todos os meus artigos anteriores foram sobre o meu ponto de vista, este não poderia ser diferente.
Quando comecei a me envolver no mundo da Fotografia, quase vi minhas idéias se afogarem numa inundação de regras, de “nãos” e “nunca faça”, que lotaram meus pensamentos. Com o passar do tempo, comecei a entender o porquê de conhecer vários trabalhos parecidos e com o pouco apelo criativo.
Quando falamos de profissionais, englobamos uma série de características individuais que influenciam diretamente num trabalho, que dão o “tom”, que estampam a personalidade do artista. Dentre essas características estão bagagem cultural, repertório visual, preferências, criatividade, feeling e relacionamento interpessoal. Isso sem considerar os fatores que são adquiridos com o tempo, tais como cursos, leituras e a própria prática.
Quando lidamos com uma infinidade de particularidades, fica praticamente impossível aplicar regras que sirvam para todos e que atendam a todas as necessidades. Conheço profissionais que entregam trabalhos com qualidade semelhantes entre si, sendo que alguns deles fizeram inúmeros cursos e workshops, enquanto outros chegaram ao mesmo nível na metade do tempo com algumas horas de pesquisas na internet e outras de mão na massa. Quem está errado? Nenhum deles. O importante é o trabalho final apresentado.
Um ótimo trabalho sempre será um ótimo trabalho, independente de o fotógrafo ter investido anos em cursos, seguido regras, moldes ou simplesmente ter sido abençoado por Deus e já ter nascido com “jeito pra coisa”. Uma coisa é fato: conhecimento nunca é demais. Cabe a cada profissional avaliar suas necessidades e trabalhar em cima delas. Vou pegar outro exemplo emprestado da Pintura. Um artista que foge às regras e que, apesar do enorme sucesso, se depara com o nariz torcido de muitos da crítica especializada. Com certeza você já deve ter ouvido falar de Romero Brito. Se ainda não, provavelmente conhece o trabalho dele sem saber. Grande parte de todo o alvoroço a cerca de seu trabalho é justamente por vê-lo sustentar um estilo que foge aos padrões e regras pré-estabelecidas e mantidas por tanto tempo. Cores inversas, junção entre traços e estampas desordenadas que, até então, eram exorcizadas por outros artistas e críticos. A questão não é se ele fez cursos, se teve influências ou se seguiu sua intuição. A questão é a qualidade do trabalho oferecido, que, por sinal, ganhou o mundo.
Corra à vontade das regras, mas mostre um trabalho decente. Ou vai dizer que nunca viu uma foto incrível, apesar do horizonte torto.
Trabalho de Romero Brito:
+Arte de:
Romero Brito
Artigo de:
Leandro Mello | @_leandromello
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Hits: 6689 Comentarios (13)
![]() escrito por Cleriston , janeiro 20, 2012 Não sei quem foi o autor da frase, mas dizia: "Pra quebrar as regras, é preciso conhece-las".
Acho q as regras são um caminho mais facil, mas nem sempre o melhor dependendo da situação... escrito por Armando Vernaglia Jr , janeiro 20, 2012 Olá Leandro! Bom artigo, gostei muito. A questão das regras é complexa, acho que elas nascem de um pensamento invertido, mas quando falo isso tem gente que me odeia hehehe. A questão é assim na minha opinião, não é que a foto fique melhor por que você usa regra dos terços, e sim, a harmonia da cena se distribui bem na regra dos terços e o fotógrafo deve conseguir ver isso, o que não significa que outra cena terá a mesma harmonia. Como a coisa funcionava bem para muitas situações, virou regra, aí pronto, avacalhou pois ninguém mais se preocupava em ver a harmonia, e sim encaixar na regra, o que é uma bobagem enorme para se fazer, mas que fazem mesmo assim.
O exemplo do Romero Brito é legal, vendo as obras dele, dá para ver que não é novo por si só, é uma mescla de cubismo com arte de vitrais, só que essa mistura era original, não os elementos, é como um filme do Tarantino, todas as cenas são conhecidas, mas a mistura é nova, e talvez seja aí que resida a criatividade, não em inventar o novo, mas em criar a nova mistura, quem sabe... Abração, parabéns pelo artigo. Armando Vernaglia Jr escrito por CAROL GARCIA , janeiro 20, 2012 sempre entendi a necessidade das regras, mas nunca consegui entendê-las ao 100%.
principalmente em fotografia (ou na própria escroita jornalística, que é o meu caso) onde o feeling conta muito, faz a diferença. abraços escrito por Matheus Dias , janeiro 22, 2012 Acho que no começo todo fotógrafo se prende as regras. É impossível quando se está no começo e quando for fazer uma fotografia não tentar lembrar das regras e tentar fazer de tudo para colocar todas em prática. Ótimo Post,é a realidade.
escrito por Leo Neves , janeiro 22, 2012 A pior regra que já inventaram é aquela que nem existe oficialmente, mas diz que fotógrafo de verdade é aquele que usa tal equipamento, faz tal tipo de foto, faz isso ou aquilo com os arquivos, usa tal software e estudou por tanto tempo.
Muita gente já teve o sonho de fotografar destruído por quem acredita nessa regra. Abs! escrito por Isma Costa , fevereiro 10, 2012 Arte é sempre arte nao interessa se tem as regras,o melhor sempre infrige as regras tornando tudo belo e surreal!
escrito por Carol Arruda , fevereiro 15, 2012 A fotografia, antes de tudo e como toda arte, é livre!
Parabéns pelo texto, muito lindo. escrito por Renata Bitencourt , fevereiro 16, 2012 Sensacional este artigo! Arte não é feita somente de tecnica e regras. Arte se faz com o coração e intuição também! Parabéns pelo artigo!
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Com o tempo aprendi que as regras server apenas para nortear o artista e que depois que são aprendidas, elas ficam ali apenas para serem quebradas conscientemente. E isso, eu confesso, dá até um sabor mais gostoso a coisa toda. =]